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Cirurgião Torácico em Goiânia

Cirurgia de Pectus (Excavatum e Carinatum): técnicas modernas, indicações e o impacto real na qualidade de vida

Publicado: 29/05/2026 Por: Dra. Alline Karolyne

Quem convive com uma deformidade na parede torácica, seja o Pectus Excavatum (tórax escavado ou “peito de sapateiro”) ou o Pectus Carinatum (tórax proeminente ou “peito de pombo”), sabe que o impacto vai muito além da estética. Trata-se de uma condição que frequentemente abala a autoestima na infância e juventude, e que, em casos graves, pode comprometer o funcionamento do coração e dos pulmões.

Felizmente, a cirurgia torácica evoluiu drasticamente. Hoje, dispomos de abordagens minimamente invasivas que corrigem a estrutura óssea de forma segura e com rápida recuperação.

O que são as deformidades do Pectus e como diferenciá-las

As deformidades congênitas da parede torácica decorrem do crescimento desordenado das cartilagens costais, que acabam empurrando o osso esterno para dentro ou para fora.

  • Pectus Excavatum: O esterno sofre uma depressão, criando uma concavidade no centro do peito. Pode ser simétrico ou assimétrico. Nos casos mais acentuados, reduz o espaço interno do tórax, comprimindo estruturas vitais.
  • Pectus Carinatum: O esterno se projeta para a frente, criando uma saliência. O impacto costuma ser predominantemente estético e psicológico, embora dores locais possam ocorrer.

O impacto funcional e psicológico

No Excavatum, o paciente pode apresentar intolerância ao exercício físico, falta de ar aos esforços e palpitações, causadas pela restrição pulmonar e compressão do ventrículo direito do coração. No entanto, em ambas as condições, o isolamento social, a recusa em tirar a camisa em ambientes públicos e o sofrimento psicológico são queixas universais que justificam a avaliação especializada.

Quais são as opções de tratamento e as técnicas cirúrgicas atuais

O tratamento mudou. No passado, grandes aberturas e retiradas extensas de cartilagem eram a única opção. Hoje, a tecnologia cirúrgica permite correções anatômicas limpas e preservadoras.

A Cirurgia Minimamente Invasiva para Pectus Excavatum (Técnica MIRPE): Esta é a técnica de escolha na literatura médica moderna. Por meio de duas pequenas incisões nas laterais do tórax, o cirurgião introduz uma barra metálica curvada e personalizada sob visão direta de uma câmera de vídeo ou robô. A barra é posicionada atrás do esterno e rotacionada, “empurrando” o peito para a posição anatômica correta instantaneamente, sem necessidade de cortar ossos ou cartilagens.

O tratamento do Pectus Carinatum: Órtoses vs. Técnica de Ravitch Modificada: Para o Carinatum, o tratamento inicial em adolescentes pode ser feito com compressores dinâmicos (órtoses). Quando o esqueleto já está maduro ou há falha no tratamento clínico, indica-se a cirurgia. A técnica de Ravitch Modificada atual é extremamente estética, focando na ressecção apenas das cartilagens alteradas através de incisões menores e planejadas.

Critério Técnica MIRPE (Excavatum) Técnica de Ravitch Modificada (Carinatum/Casos Complexos)
Incisões Duas pequenas incisões laterais (estéticas) Uma incisão centralizada ou submamária anatômica
Mecanismo Uso de barra moldada para retirar a depressão do esterno Ressecção seletiva das cartilagens afetadas
Uso de Implante Sim, barra metálica (retirada após 2 a 3 anos) Raramente necessita de suporte metálico
Recuperação Rápida reestruturação, foco no controle analgésico Excelente estabilidade torácica pós-operatória

Quem é candidato à cirurgia de Pectus

A indicação cirúrgica baseia-se em critérios de gravidade e sofrimento do paciente:

  • Índice de Haller elevado: Mensurado por tomografia computadorizada (geralmente > 3.25), comprovando a compressão interna.
  • Alterações cardiorrespiratórias: Evidenciadas por ecocardiograma (compressão cardíaca) ou espirometria.
  • Impacto psicossocial grave: Sofrimento psicológico documentado com prejuízo na qualidade de vida do jovem ou adulto.
  • Idade ideal: Para a técnica de Nuss, a idade ideal costuma ser entre o início da puberdade e o final da adolescência, embora adultos jovens também se beneficiem imensamente.

Como é o pós-operatório e o controle da dor

O manejo moderno da dor no pós-operatório: Por ser uma reestruturação da caixa torácica, o controle da dor nas primeiras 48 a 72 horas é a prioridade da equipe. Hoje, utilizamos protocolos avançados de analgesia multimodal, incluindo bloqueios nervosos regionais guiados por ultrassom e crioblação de nervos intercostais. Isso reduz drasticamente o uso de medicações sistêmicas pesadas e o tempo de internação.

Internação e Retorno às Atividades: O período de internação varia de 3 a 5 dias. O retorno às atividades escolares ou de escritório ocorre em cerca de 2 a 3 semanas. Atividades físicas sem contato e caminhadas são estimuladas cedo, enquanto esportes de impacto são contraindicados por um período de 3 a 6 meses para garantir a perfeita fixação da barra.

Perguntas frequentes

A barra inserida na técnica de MIRPE incomoda no dia a dia?

Após o período inicial de adaptação (primeiras semanas), a barra torna-se imperceptível para o paciente em suas atividades cotidianas. Ela permanece no corpo por cerca de 3 anos e é retirada em um procedimento simples e ambulatorial.

O plano de saúde cobre a cirurgia de Pectus?

Sim. Desde que haja comprovação de impacto funcional (restrição pulmonar, compressão cardíaca) ou laudo especializado demonstrando o prejuízo à saúde mental, o procedimento possui cobertura contratual obrigatória conforme as diretrizes vigentes.

Dra. Alline Karolyne

Dra. Alline Karolyne

Cirurgiã Torácica — CRM-GO: 25.495

RQE: 18.605  |  RQE: 20.147

Especialista em Cirurgia Torácica, Broncoscopia Avançada e Cirurgia Robótica. Única com dupla certificação no Centro-Oeste.