Quem convive com uma deformidade na parede torácica, seja o Pectus Excavatum (tórax escavado ou “peito de sapateiro”) ou o Pectus Carinatum (tórax proeminente ou “peito de pombo”), sabe que o impacto vai muito além da estética. Trata-se de uma condição que frequentemente abala a autoestima na infância e juventude, e que, em casos graves, pode comprometer o funcionamento do coração e dos pulmões.
Felizmente, a cirurgia torácica evoluiu drasticamente. Hoje, dispomos de abordagens minimamente invasivas que corrigem a estrutura óssea de forma segura e com rápida recuperação.
O que são as deformidades do Pectus e como diferenciá-las
As deformidades congênitas da parede torácica decorrem do crescimento desordenado das cartilagens costais, que acabam empurrando o osso esterno para dentro ou para fora.
- Pectus Excavatum: O esterno sofre uma depressão, criando uma concavidade no centro do peito. Pode ser simétrico ou assimétrico. Nos casos mais acentuados, reduz o espaço interno do tórax, comprimindo estruturas vitais.
- Pectus Carinatum: O esterno se projeta para a frente, criando uma saliência. O impacto costuma ser predominantemente estético e psicológico, embora dores locais possam ocorrer.
O impacto funcional e psicológico
No Excavatum, o paciente pode apresentar intolerância ao exercício físico, falta de ar aos esforços e palpitações, causadas pela restrição pulmonar e compressão do ventrículo direito do coração. No entanto, em ambas as condições, o isolamento social, a recusa em tirar a camisa em ambientes públicos e o sofrimento psicológico são queixas universais que justificam a avaliação especializada.
Quais são as opções de tratamento e as técnicas cirúrgicas atuais
O tratamento mudou. No passado, grandes aberturas e retiradas extensas de cartilagem eram a única opção. Hoje, a tecnologia cirúrgica permite correções anatômicas limpas e preservadoras.
A Cirurgia Minimamente Invasiva para Pectus Excavatum (Técnica MIRPE): Esta é a técnica de escolha na literatura médica moderna. Por meio de duas pequenas incisões nas laterais do tórax, o cirurgião introduz uma barra metálica curvada e personalizada sob visão direta de uma câmera de vídeo ou robô. A barra é posicionada atrás do esterno e rotacionada, “empurrando” o peito para a posição anatômica correta instantaneamente, sem necessidade de cortar ossos ou cartilagens.
O tratamento do Pectus Carinatum: Órtoses vs. Técnica de Ravitch Modificada: Para o Carinatum, o tratamento inicial em adolescentes pode ser feito com compressores dinâmicos (órtoses). Quando o esqueleto já está maduro ou há falha no tratamento clínico, indica-se a cirurgia. A técnica de Ravitch Modificada atual é extremamente estética, focando na ressecção apenas das cartilagens alteradas através de incisões menores e planejadas.