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Cirurgião Torácico em Goiânia

Pectus excavatum: quando a deformidade da parede torácica exige cirurgia

Publicado: 18/09/2026 Por: Dra. Alline Karolyne

Pectus excavatum é uma das alterações mais comuns da parede torácica, mas ainda gera muitas dúvidas: é só uma questão estética? Precisa operar? Em que idade? Este guia explica, de forma direta, o que é essa condição e em quais situações a cirurgia passa a ser indicada.

O que é pectus excavatum

Pectus excavatum, também chamado de tórax escavado ou tórax em funil, é uma deformidade congênita da parede torácica em que o esterno e as cartilagens costais crescem voltados para dentro, criando uma depressão no centro do peito. É a alteração torácica congênita mais frequente e costuma ficar mais evidente durante o crescimento, principalmente na puberdade.

Na maioria dos casos, o pectus excavatum está presente desde a infância, mas só se torna mais visível conforme a criança ou o adolescente cresce.

Como identificar: sinais e sintomas

Sinais visíveis na parede torácica

O sinal mais característico é a depressão central do peito, que pode ser discreta ou bastante acentuada. Em muitos casos, a assimetria entre os dois lados do tórax também é perceptível, assim como uma postura com ombros projetados para frente.

Sintomas que vão além da estética

Em graus mais leves, o pectus excavatum costuma não causar nenhum sintoma físico, apenas a alteração visual. Já em casos moderados a graves, a depressão pode comprimir o coração e os pulmões, o que se manifesta como cansaço fácil durante atividades físicas, falta de ar, palpitações e, em alguns casos, dor torácica.

Pectus excavatum é sempre uma questão estética?

Não. Essa é uma das confusões mais comuns sobre o tema. Em casos leves, o impacto costuma ser mesmo estético, afetando principalmente a autoestima e a forma como a pessoa se sente com o próprio corpo. Mas em casos moderados a graves, a depressão do esterno pode comprimir estruturas internas e comprometer a função cardíaca e respiratória, o que muda completamente a forma de conduzir o caso.

Por isso, todo pectus excavatum perceptível merece avaliação de um cirurgião torácico, mesmo quando parece ser apenas uma questão de aparência.

Como é feito o diagnóstico

Avaliação clínica

O primeiro passo é uma consulta médica com exame físico detalhado do tórax, histórico de sintomas como falta de ar ou cansaço aos esforços, e avaliação da evolução da deformidade ao longo do crescimento.

Exames de imagem e o papel do índice de Haller

Para confirmar o grau da deformidade e entender seu impacto nos órgãos internos, o médico geralmente solicita uma tomografia computadorizada do tórax. A partir desse exame, é possível calcular o chamado índice de Haller, uma medida que relaciona a largura e a profundidade do tórax.

Esse índice é usado como referência para avaliar a gravidade do caso, mas não é o único critério considerado. A decisão sobre a conduta leva em conta o índice de Haller junto com os sintomas relatados e o impacto na função cardiopulmonar, sempre de forma individualizada.

Quando a cirurgia é realmente necessária

Critérios clínicos que indicam cirurgia

A cirurgia costuma ser indicada quando há uma combinação de fatores, e não apenas pela aparência da deformidade. Entre os critérios mais considerados estão:

  • Compressão significativa do coração ou dos pulmões, identificada em exames de imagem.
  • Sintomas físicos relevantes, como falta de ar ou intolerância a esforços.
  • Índice de Haller elevado, indicando deformidade mais acentuada.
  • Impacto psicológico e social importante, avaliado em conjunto com os demais fatores.

A presença de mais de um desses fatores tende a reforçar a indicação cirúrgica, mas a decisão final é sempre do cirurgião responsável, após avaliação completa do caso.

Casos em que o acompanhamento clínico é suficiente

Quando a deformidade é leve, sem sinais de compressão cardiopulmonar e sem sintomas físicos relevantes, o acompanhamento clínico periódico costuma ser a conduta adequada, sem necessidade de cirurgia. Nesses casos, o médico acompanha a evolução ao longo do crescimento, já que o quadro pode se manter estável.

Opções de correção cirúrgica

Quando a cirurgia é indicada, existem diferentes técnicas, escolhidas conforme a idade do paciente, a flexibilidade da parede torácica e as características específicas de cada caso.

Técnica minimamente invasiva (Nuss)

A técnica de Nuss é realizada por vídeo, com pequenas incisões nas laterais do tórax. Uma barra metálica curva é inserida por baixo do esterno para reposicioná-lo gradualmente. Costuma ser mais indicada em crianças e adolescentes, quando a parede torácica ainda é mais flexível.

Técnica aberta (Ravitch)

A técnica de Ravitch envolve uma incisão maior no centro do tórax, com remoção de parte das cartilagens costais alteradas e reposicionamento do esterno. É considerada em situações específicas, como deformidades mais rígidas, casos com características particulares ou quando há necessidade de nova cirurgia após uma correção anterior.

A escolha entre as técnicas depende de uma avaliação individual feita pelo cirurgião torácico, considerando idade, gravidade do quadro e histórico do paciente.

Melhor idade para tratar pectus excavatum

De forma geral, a adolescência costuma ser um período favorável para a correção cirúrgica, já que a parede torácica ainda é mais maleável, o que facilita o reposicionamento do esterno. Isso não significa que adultos não possam ser operados, mas a abordagem e a técnica podem variar conforme a rigidez do tórax em cada fase da vida.

O acompanhamento desde a infância ou o início da adolescência ajuda a identificar o melhor momento para intervir, caso a cirurgia venha a ser necessária.

Perguntas frequentes

Pectus excavatum sempre precisa de cirurgia? Não. Casos leves, sem compressão cardiopulmonar e sem sintomas relevantes, costumam ser apenas acompanhados clinicamente.

Com que idade costuma ser feita a cirurgia? Não existe uma idade fixa, mas a adolescência costuma ser um período favorável, pela maior flexibilidade da parede torácica.

Pectus excavatum pode causar problemas no coração e nos pulmões? Em casos moderados a graves, sim. A depressão do esterno pode comprimir essas estruturas e causar sintomas como falta de ar e cansaço aos esforços.

A cirurgia de Nuss deixa cicatrizes grandes? Como é uma técnica minimamente invasiva, as incisões costumam ser pequenas e localizadas nas laterais do tórax, resultando em cicatrizes discretas na maioria dos casos.

Só um exame físico já é suficiente para decidir sobre a cirurgia? Não. A avaliação completa costuma incluir exame físico, histórico de sintomas e exames de imagem, como a tomografia computadorizada, para uma decisão mais precisa.

Buscando avaliação especializada

Diante de qualquer grau de pectus excavatum, o mais indicado é procurar um cirurgião torácico para uma avaliação completa, que vai além da aparência do tórax e considera função cardiopulmonar, sintomas e histórico individual. Essa avaliação é o que permite entender se o caso pede apenas acompanhamento ou se a cirurgia é realmente o caminho mais adequado.

Dra. Alline Karolyne

Dra. Alline Karolyne

Médica Cirurgiã Torácica — CRM-GO: 25.495

RQE: 18.605  |  RQE: 20.147

Especialista em Cirurgia Torácica, Broncoscopia Avançada e Cirurgia Robótica. Dupla certificação no Centro-Oeste.